Numa manhã ensolarada de verão em que os passarinhos voavam alegremente pelo céu azul e os bichinhos da floresta brincavam de esconde-esconde com as borboletas multicoloridas que enfeitavam de arco íris a paisagem maravilhosa do bosque encantado que exalava um perfume de jasmim e pêssegos maduros que pendiam saborosos das copas dos pessegueiros em flor em plena primavera de um domingo claro e brilhante no qual as águas do riacho de águas límpidas e transparentes corriam serelepes em direção à cachoeira abundante de peixinhos de todas as formas que coloriam as águas translúcidas do riacho assim como os beijaflores animavam o céu com seu ballet delicado e festivo para celebrar a natureza em toda sua plenitude numa demonstração de que a vida é a coisa mais maravilhosa que existe no universo e todos os seres vivem em harmonia numa comunhão perfeita e eterna,
explodiu na floresta um vulcão que congelou em lavas toda a alegria do mundo.
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
Marketing
- Bem, como todos sabem, perdemos nossa principal artista por overdose a noite passada e, por isso, convoquei essa reunião emergencial. Precisamos lançar um novo produto no mercado e devemos repensar nossas estratégias de marketing. Artistas drogados trazem um bom retorno comercial, pois sempre estão em evidência na mídia, mas essa fórmula já está dando sinais de desgaste. Embora suas mortes também estimulem consideravelmete a venda de nossos produtos, nossos consultores estimam que, em até dez anos, a rejeição a esse modelo autodestrutivo será determinante para a queda das vendas. Precisamos pensar um modelo que esteja em sintonia com as tendências de comportamento atuais. Podemos começar com as sugestões?
- Senhor presidente, sob orientação do setor de marketing, antes mesmo desse acontecimento desagradável já estava em andamento uma ampla pesquisa visando buscar novas diretrizes para a próxima década. A pesquisa ainda está incompleta, mas já evidencia determinadas tendências que, acreditamos, irão balizar o comportamento da sociedade a médio prazo.
- Acho que podemos nos adiantar na aplicação prática de tais constatações, aproveitando esse momento trágico para estabelecer estratégias para o lançamento de um novo produto que faça justamente um contraponto à imagem de decadência com a qual trabalhamos até então. O que temos de conclusivo na pesquisa?
- Bem, presidente, temos aqui uma lista de comportamentos sociais que, acredito, sinalizam padrões que tendem a se sedimentar num futuro próximo.
- Exponha-os, por favor.
- Certo. Primeiramente existe uma forte tendência a comportamentos politicamente corretos, abrangendo desde relacionamentos interpessoais e intersociais, até questões relacionadas à ecologia e à preservação dos recursos naturais. Como toda manifestação social que começa a se impor às pessoas, tal tendência vem acompanhada de seu oposto, que é o acirramento de preconceitos raciais, deterioração acelerada do meio ambiente e aumento das tensões entre nações. Em segundo lugar, verificamos uma tolerância maior das pessoas ao choque causado por situações extremas. A ampla divulgação do bizarro pela mídia televisiva e pela internet tem flexibilizado o patrulhamento moral no que diz respeito à exibição da violência e do erotismo. Como era de se esperar, tal fenômeno tem provocado reações radicais de intolerância, principalmente nos meios religiosos, mas tais reações alimentam ainda mais a curiosidade do público consumidor, o que nos dá um enorme potencial de lucro. E, para concluir, verificamos um movimento acelerado em direção ao individualismo e à autosuficiência. Todo o mercado caminha no sentido de prover o indivíduo com tudo o que se pode imaginar, e acreditamos que poderíamos, a médio prazo, lançar um novo conceito que rompa com a fórmula da busca de amor. No geral, é isso.
- Entendo. Bem, senhores, vamos elaborar nossa estratégia a partir das conclusões obtidas por nosso setor de marketing e nos adiantar à concorrência lançando nosso produto assim que tivermos esgotado as ações de exploração comercial da morte de nossa ex-contratada. A partir de agora quero ouvir sugestões.
- Bem, poderíamos explorar a imagem de algum atleta olímpico que cantasse músicas exaltando a saúde e a aparência física. Estaríamos em sintonia com a tendência ao individualismo e ao politicamente correto. E para dar um tom de sensualidade, poderíamos focar a divulgação de sua imagem através de ensaios nus.
- Não... Devemos ter uma mulher. Mulheres estão em alta. E quanto a ser um atleta olímpico, não me parece que funcionaria com o impacto que desejamos, pois a sociedade tende a rejeitar pessoas já conhecidas em outras atividades por não identificar nelas talento artístico uma vez que, em seu imaginário, não é natural que alguém seja agraciado com mais de um dom.
- Que tal uma cantora pop de alguma nacionalidade exótica? Como alguém do leste europeu, ou da África?
- A rejeição cultural e racial ainda é muito forte no mundo. A Björk só deu certo por ser da Islândia, que é um país do qual ninguém tem muita referência. Se tentarmos lançar no mercado uma russa ou uma iraniana, por exemplo, teríamos um grande fracasso nas mãos.
- Poderíamos trabalhar com o conceito da adolescente.
- Sim, é uma boa idéia. Adolescentes têm sido um dos principais pilares de sustentação de nossa indústria, pois consomem sem pudor e sem crítica.
- Mas eu penso que a fórmula da adolescente nos dá duas opções complicadas. O conceito da adolescente virgem e inocente já está desgastada e, se decidíssemos pelo conceito da exploração da sexualidade latente de uma adolescente, não poderíamos vinculá-la a práticas muito extremas, pois poderíamos ter problemas com a Justiça.
- A idéia da adolescente me agrada. Acho que devemos procurar por alguma garota já maior de idade, mas que tenha características físicas infantilizadas. Se necessário, podemos fazer intervenções cirúrgicas que ressaltem isso, como diminuição dos seios ou arredondamento do rosto. Hoje em dia tudo é possível. Além do mais, podemos conferir-lhe um caráter andrógino.
- E se a vinculássemos a algum movimento organizado atual de práticas politicamente corretas? Talvez o Greenpeace...
- O Greenpeace não conta com uma simpatia unânime das sociedades. Questões ecológicas demoram para sensibilizar as pessoas, pois não as atingem diretamente a curto prazo. Na mente do público, essa é uma questão que pode ser adiada para que as futuras gerações lidem com ela. Precisamos de algo mas imediato, que alcance em cheio o lado afetivo e individualista das pessoas.
- Que tal o movimento de defesa dos animais?
- Ótimo. Boa idéia. Animais têm aceitação universal.
- Trabalharíamos com algum animal exótico?
- Não. Penso que os animais domésticos têm um apelo emotivo mais direto e imediato. Trabalharemos com uma garota com aparência adolescente que posicione-se a favor dos animais e que, para reforçar tal postura, carregue sempre consigo um animal de estimação.
- Gato ou cachorro?
- Cachorro. Eu tive uma idéia que seria mais apropriada se trabalhássemos com a capacidade interativa dos cães, apesar da sensualidade evidente dos gatos. Vamos lançar uma cantora que, a princípio, gravará músicas de aspecto inocente em defesa dos animais. Faremos com que ela use um pingente de crucifixo no pescoço para lhe conferir uma aura de religiosidade e espiritualidade cristã. Quando a estratégia começar a sofrer desgastes, faremos um clip onde insinuaremos sutilmente a prática de zoofilia com seu cão que, acredito, deva ser um desses pequenos e fofos, que provocam nas pessoas sentimentos de afeição imediata. A cada três meses, como é de praxe, plantaremos um escâncalo na mídia, sempre reforçando o conceito da busca do prazer individual, sem a necessidade de outro ser humano para ser satisfeita. Insinuaremos sexo oral com animais. Negaremos sempre a idéia da zoofilia mas criaremos um comportamento ambíguo de nossa estrela que podemos calcular para durar uns três anos, com o lançamento de um CD por ano. Ao final desse prazo, com a fórmula novamente desgastada, criaremos um novo fato que será a morte do cão e, para coroar nossa campanha, teremos nossa artista presente ao enterro milionário de seu cão usando um casaco de peles feito com o pêlo do próprio animal. Diante dos protestos que isso acarretará, criaremos um discurso polêmico onde ela manifestará sua tristeza insuportável pela morte do cão e reivindicará o direito de usar o casaco feito com seu pêlo, o que não teria nenhum problema ético, uma vez que o animal já estaria morto. Com essa polêmica acredito que teremos mais uns dois ou três anos de exposição na mídia. O que acham?
- Bastante interessante.
- Sim, é uma idéia inédita. Talvez uma das melhores depois do branqueamento do Michael Jackson ou da promiscuidade estudada da Madonna.
- É verdade. Poderíamos chamar nossa estrela de Brigitte. Que tal?
- Eu acho que seria uma referência muito direta. Talvez possamos chamar o cão de Brigitte, usando uma cadela ao invés de um cão macho. Teríamos aí mais um elemento polêmico em sintonia com as tendências atuais de homossexualismo.
- E a garota?
- Acho que Dorothy seria um bom nome. Sim,... Dorothy Lulu.
- Senhor presidente, sob orientação do setor de marketing, antes mesmo desse acontecimento desagradável já estava em andamento uma ampla pesquisa visando buscar novas diretrizes para a próxima década. A pesquisa ainda está incompleta, mas já evidencia determinadas tendências que, acreditamos, irão balizar o comportamento da sociedade a médio prazo.
- Acho que podemos nos adiantar na aplicação prática de tais constatações, aproveitando esse momento trágico para estabelecer estratégias para o lançamento de um novo produto que faça justamente um contraponto à imagem de decadência com a qual trabalhamos até então. O que temos de conclusivo na pesquisa?
- Bem, presidente, temos aqui uma lista de comportamentos sociais que, acredito, sinalizam padrões que tendem a se sedimentar num futuro próximo.
- Exponha-os, por favor.
- Certo. Primeiramente existe uma forte tendência a comportamentos politicamente corretos, abrangendo desde relacionamentos interpessoais e intersociais, até questões relacionadas à ecologia e à preservação dos recursos naturais. Como toda manifestação social que começa a se impor às pessoas, tal tendência vem acompanhada de seu oposto, que é o acirramento de preconceitos raciais, deterioração acelerada do meio ambiente e aumento das tensões entre nações. Em segundo lugar, verificamos uma tolerância maior das pessoas ao choque causado por situações extremas. A ampla divulgação do bizarro pela mídia televisiva e pela internet tem flexibilizado o patrulhamento moral no que diz respeito à exibição da violência e do erotismo. Como era de se esperar, tal fenômeno tem provocado reações radicais de intolerância, principalmente nos meios religiosos, mas tais reações alimentam ainda mais a curiosidade do público consumidor, o que nos dá um enorme potencial de lucro. E, para concluir, verificamos um movimento acelerado em direção ao individualismo e à autosuficiência. Todo o mercado caminha no sentido de prover o indivíduo com tudo o que se pode imaginar, e acreditamos que poderíamos, a médio prazo, lançar um novo conceito que rompa com a fórmula da busca de amor. No geral, é isso.
- Entendo. Bem, senhores, vamos elaborar nossa estratégia a partir das conclusões obtidas por nosso setor de marketing e nos adiantar à concorrência lançando nosso produto assim que tivermos esgotado as ações de exploração comercial da morte de nossa ex-contratada. A partir de agora quero ouvir sugestões.
- Bem, poderíamos explorar a imagem de algum atleta olímpico que cantasse músicas exaltando a saúde e a aparência física. Estaríamos em sintonia com a tendência ao individualismo e ao politicamente correto. E para dar um tom de sensualidade, poderíamos focar a divulgação de sua imagem através de ensaios nus.
- Não... Devemos ter uma mulher. Mulheres estão em alta. E quanto a ser um atleta olímpico, não me parece que funcionaria com o impacto que desejamos, pois a sociedade tende a rejeitar pessoas já conhecidas em outras atividades por não identificar nelas talento artístico uma vez que, em seu imaginário, não é natural que alguém seja agraciado com mais de um dom.
- Que tal uma cantora pop de alguma nacionalidade exótica? Como alguém do leste europeu, ou da África?
- A rejeição cultural e racial ainda é muito forte no mundo. A Björk só deu certo por ser da Islândia, que é um país do qual ninguém tem muita referência. Se tentarmos lançar no mercado uma russa ou uma iraniana, por exemplo, teríamos um grande fracasso nas mãos.
- Poderíamos trabalhar com o conceito da adolescente.
- Sim, é uma boa idéia. Adolescentes têm sido um dos principais pilares de sustentação de nossa indústria, pois consomem sem pudor e sem crítica.
- Mas eu penso que a fórmula da adolescente nos dá duas opções complicadas. O conceito da adolescente virgem e inocente já está desgastada e, se decidíssemos pelo conceito da exploração da sexualidade latente de uma adolescente, não poderíamos vinculá-la a práticas muito extremas, pois poderíamos ter problemas com a Justiça.
- A idéia da adolescente me agrada. Acho que devemos procurar por alguma garota já maior de idade, mas que tenha características físicas infantilizadas. Se necessário, podemos fazer intervenções cirúrgicas que ressaltem isso, como diminuição dos seios ou arredondamento do rosto. Hoje em dia tudo é possível. Além do mais, podemos conferir-lhe um caráter andrógino.
- E se a vinculássemos a algum movimento organizado atual de práticas politicamente corretas? Talvez o Greenpeace...
- O Greenpeace não conta com uma simpatia unânime das sociedades. Questões ecológicas demoram para sensibilizar as pessoas, pois não as atingem diretamente a curto prazo. Na mente do público, essa é uma questão que pode ser adiada para que as futuras gerações lidem com ela. Precisamos de algo mas imediato, que alcance em cheio o lado afetivo e individualista das pessoas.
- Que tal o movimento de defesa dos animais?
- Ótimo. Boa idéia. Animais têm aceitação universal.
- Trabalharíamos com algum animal exótico?
- Não. Penso que os animais domésticos têm um apelo emotivo mais direto e imediato. Trabalharemos com uma garota com aparência adolescente que posicione-se a favor dos animais e que, para reforçar tal postura, carregue sempre consigo um animal de estimação.
- Gato ou cachorro?
- Cachorro. Eu tive uma idéia que seria mais apropriada se trabalhássemos com a capacidade interativa dos cães, apesar da sensualidade evidente dos gatos. Vamos lançar uma cantora que, a princípio, gravará músicas de aspecto inocente em defesa dos animais. Faremos com que ela use um pingente de crucifixo no pescoço para lhe conferir uma aura de religiosidade e espiritualidade cristã. Quando a estratégia começar a sofrer desgastes, faremos um clip onde insinuaremos sutilmente a prática de zoofilia com seu cão que, acredito, deva ser um desses pequenos e fofos, que provocam nas pessoas sentimentos de afeição imediata. A cada três meses, como é de praxe, plantaremos um escâncalo na mídia, sempre reforçando o conceito da busca do prazer individual, sem a necessidade de outro ser humano para ser satisfeita. Insinuaremos sexo oral com animais. Negaremos sempre a idéia da zoofilia mas criaremos um comportamento ambíguo de nossa estrela que podemos calcular para durar uns três anos, com o lançamento de um CD por ano. Ao final desse prazo, com a fórmula novamente desgastada, criaremos um novo fato que será a morte do cão e, para coroar nossa campanha, teremos nossa artista presente ao enterro milionário de seu cão usando um casaco de peles feito com o pêlo do próprio animal. Diante dos protestos que isso acarretará, criaremos um discurso polêmico onde ela manifestará sua tristeza insuportável pela morte do cão e reivindicará o direito de usar o casaco feito com seu pêlo, o que não teria nenhum problema ético, uma vez que o animal já estaria morto. Com essa polêmica acredito que teremos mais uns dois ou três anos de exposição na mídia. O que acham?
- Bastante interessante.
- Sim, é uma idéia inédita. Talvez uma das melhores depois do branqueamento do Michael Jackson ou da promiscuidade estudada da Madonna.
- É verdade. Poderíamos chamar nossa estrela de Brigitte. Que tal?
- Eu acho que seria uma referência muito direta. Talvez possamos chamar o cão de Brigitte, usando uma cadela ao invés de um cão macho. Teríamos aí mais um elemento polêmico em sintonia com as tendências atuais de homossexualismo.
- E a garota?
- Acho que Dorothy seria um bom nome. Sim,... Dorothy Lulu.
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